PÚBLICO: Entrevista da HempToday a Miguel Negrão, traduzida

ENTREVISTA: Miguel Negrão estudou administração hoteleira na Universidade Internacional de Portugal e trabalha regularmente como consultor de propriedade industrial. Ele é dono de uma pequena propriedade agrícola onde cultivou cânhamo em 2018 e utiliza actualmente Hempcrete. Ele é co-fundador da Lusicanna, uma cooperativa de produtores de cânhamo. Ele também é presidente da CannaCasa, Associação do Cânhamo Industrial. O seu objetivo atual no negócio do cânhamo é ver o crescimento da indústria em Portugal.

Miguel é alegre, grato e determinado: recentemente lançou um workshop de cânhamo enquanto construía uma casa modelo, com a participação das lendas na área como Wolf Jordan e Carl Martel. 


HempToday: Portugal tem uma longa história com cânhamo. As leis em vigor em Portugal permitem que uma empresa floresça?
MN: De facto tem! Portugal e o cânhamo estão conectados desde sempre. As nossas velas e as cordas usadas nas caravelas portuguesas, aquando o descobrimento do Brasil e de metade do mundo por via marítima, eram feitas de cânhamo puro.
Portugal nunca teve uma lei proibindo o plantio de cânhamo. Apenas neste ano, os cultivadores de cânhamo foram impedidos de certificar suas sementes com o Ministério da Agricultura. Uma nova lei está sendo preparada desde o ano passado, mas uma das principais partes interessadas, nós agricultores, nunca foi auscultada relativamente à criação desta nova lei.
HT: Qual tem sido sua experiência em lidar com proibição e estigma?
MN: Estranhamente depois de se legalizar o cultivo de canábis medicinal em Portugal e com grandes empresas estrangeiras já instaladas em Portugal, as novas colheitas de cânhamo não foram certificadas. Independentemente dos inúmeros contatos dos produtores e organizações de cânhamo, os reguladores não nos ouviram ou acolheram. Foram tempos muito frustrantes!
A minha resposta foi iniciar a CannaCasa, Associação do Cânhamo Industrial, para educar as pessoas, consciencializar sobre o cânhamo e as suas mais de 25.000 aplicações, o seu potencial para a economia portuguesa e, ao mesmo tempo, atrair investidores e mais agricultores para desenvolver uma forte indústria de cânhamo em Portugal.
HT: Construir com cânhamo é actualmente um desafio em todo o mundo. Conte-nos sobre esta última experiência no Workshop. Tencionam realizá-la regularmente?
MN: Foi uma experiência incrível. Estou realmente focado em construir com o Hempcrete em Portugal. A aprendizagem com o Wolf Jordan e Carl Martel foi inestimável, sobre a construção e armazenamento de en

ergia com produtos à base em cânhamo.

Este foi o primeiro de muitos que temos em mente com o CannaCasa, muitas pessoas entraram em contato conosco a perguntar por mais datas. É muito bom que exista interesse neste método de construção.
O CannaCasa tem vários projetos, incluindo a criação de uma fazenda escolar de cânhamo.
HT: Que vantagens Portugal oferece para a indústria do cânhamo?
MN: Nesse momento, existe alguma preocupação com o futuro do setor, pois não conhecemos a nova lei.
Portugal é o país com mais exposição ao sol e melhor clima na Europa para cultivar cânhamo. O elevado interesse no nosso país é devido a este factor, mas também pelo preço relativamente baixo dos terrenos, o que gera o interesse de companhias estrangeiras em instalar-se em Portugal.
Portugal também possui fortes indústrias têxteis, de papel, construção / cimento e plástico que provavelmente poderiam facilmente converter-se à produção de produtos à base de cânhamo.

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